Terceira Coluna
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SEGUNDO PLANO
A Câmara Municipal de Lençóis Paulista tinha apenas um projeto para apreciar na sessão da última segunda-feira (27), o que autorizava - como forma de contribuir com as contas públicas no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus (Covid-19) - a redução de metade do salário do prefeito Anderson Prado de Lima (DEM) até o final deste ano. No entanto, a proposta, que foi aprovada por unanimidade, foi mera coadjuvante no encontro do Legislativo.
HOLOFOTES
Mais uma vez, o centro das atenções foi a agora ex-vice-prefeita Cíntia Duarte (DEM), que na última quarta-feira (22) anunciou sua renúncia em carta encaminhada à Casa de Leis. O motivo foi o mesmo, só que o teor das declarações foi bem diferente. Enquanto que na semana passada muitos dos vereadores teceram elogios pela atitude de abrir mão do cargo e salários para ajudar o município, dessa vez, alguns questionaram se teria sido este o real objetivo de seu afastamento repentino.
DENÚNCIA
O motivo foi o novo desdobramento de denúncia feita no Ministério Público (MP), que instaurou Inquérito Civil para apurar possível descumprimento, por parte de Cíntia Duarte, do Artigo 55 da Lei Orgânica do Município (LOM), que impede que prefeitos e vice-prefeitos exerçam funções administrativas em qualquer empresa privada. A acusação, que tramita desde 2018, refere-se à suposta manutenção da então vice-prefeita na administração da empresa de sua família, a Cíntia Fotografias.
ARQUIVA
De acordo com a denúncia, a ex-vice-prefeita se mantinha à frente dos negócios mesmo após sua saída do quadro societário, que desde o final de 2016, com sua eleição na chapa do prefeito Anderson Prado, passou a contar legalmente apenas com seu esposo e seu filho. A questão já chegou a ser apreciada pelos vereadores da Câmara Municipal e acabou sendo arquivada, assim como no próprio MP, através da 3ª Vara, comandada pelo promotor Neander Antonio Sanches.
NÃO ARQUIVA
A investigação foi retomada após recurso pedindo o desarquivamento, protocolado na esfera estadual. Quem assumiu o caso foi o promotor Aloísio Garmes Junior, da 1ª Vara do MP, que além de determinar que o Legislativo iniciasse um processo que poderia resultar - ou não - na cassação de Cíntia Duarte, oficiou a Delegacia Seccional de Bauru à instauração de Inquérito Policial para apurar crime de falsidade ideológica pela suposta falsa comunicação de afastamento da empresa.
VERGONHA ALHEIA
Foi justamente este o ponto de discórdia na Casa de Leis. A polêmica foi iniciada por Leonardo Henrique de Oliveira, o Dudu do Basquete (CIDA), que cobrou o presidente Nardeli da Silva (DEM) pelo não compartilhamento do documento, recebido no dia 27 de fevereiro, com os demais vereadores. Disse que se sentiu envergonhado por ter sido informado por terceiros. Outros vereadores também se mostraram incomodados, como Mirna Justo (PSDB), que relatou ter se sentido uma palhaça com o ocorrido.
QUEM PRESIDE?
Nardeli, por sua vez, subiu o tom em vários momentos para rebater os colegas lembrando de suas prerrogativas de chefe do Legislativo e recapitulando que o mesmo assunto já havia sido apreciado pelo plenário há menos de dois anos. Também explicou que não havia dado andamento ao caso porque pediu mais prazo para avaliar a questão junto ao jurídico da Casa de Leis, e que, nesse meio tempo, a cidade passou a lidar com a pandemia do novo coronavírus, que foi colocada à frente na lista de prioridades.
ARMADILHA
Recebeu apoio contundente do vereador Damião Xavier de Oliveira, o Professor Guto (MDB), que também falou alto ao citar que é preciso observar os dispositivos do Regimento Interno antes de cobrar a Mesa Diretora. Disse ainda que, mesmo tendo assumido sua cadeira apenas no ano passado, analisou a fundo o teor da acusação e concluiu que todos estão caindo novamente na mesma armadilha, fazendo alusão ao jogo político por traz da denúncia.
OBSCURO
Nardeli, aliás, foi enfático ao dizer para que todos se preparem, porque, após o período crítico da pandemia, a Câmara Municipal vai saber de muita coisa que, segundo ele, é “de arrepiar”. Revelou que vai mostrar de onde vem o denuncismo e por quem está sendo financiado. “Nada vai ficar escondido. A sociedade vai saber quem, como que faz e de onde que sai o dinheiro. Só digo de antemão, é público”, disse o presidente, dando a entender que há dinheiro público por traz do suposto ‘esquema’.
FOI ALÉM
O tema seguiu reverberando além do Legislativo. Na terça-feira (28), em ato cívico em comemoração aos 162 anos de emancipação político-administrativa de Lençóis Paulista, que devido às restrições adotadas em decorrência da pandemia do novo coronavírus foi restrito a autoridades, que, coincidentemente, se reuniram na Sala de Sessões Mário Trecenti, o prefeito Anderson Prado encerrou o seu discurso com uma mensagem bem áspera aos políticos locais, em exercício ou não de cargo eletivo.
RECADO
“Não é momento de oportunismo, denuncismo, mau-caratismo. É momento de união, não ao redor do meu governo, mas pelo povo, pela cidade. É hora de ser baluarte da moral, arauto da esperança, de mostrar o valor que tem diante dos cargos que pleiteiam ou ocuparam [...] É hora de se provar o valor que tem, à luz do dia, às claras, transparente como água cristalina e não na escuridão [...] É momento de bandeira branca e não de partidarismo ou deturpações da realidade”, disse.
POLITICAGEM
Ainda na terça-feira (28), quem também se manifestou sobre o assunto foi a própria Cíntia Duarte, que publicou uma nota com duras críticas, bem diferente de sua carta de renúncia. Disse que a politicagem por traz das denúncias a fizeram querer abandonar o que chamou de “mundo sujo e cruel que é a política”. Também lamentou por não ter sido procurada pelo Ministério Público e disse que, por isso, considera o inquérito ilegal, tendo entrado como uma medida judicial contra a Promotoria.
FACE DO NOJO
Suas críticas mais incisivas foram ao Legislativo. Mesmo que não tenha citado nomes, deu o recado: “Cansei do jogo sujo, cansei dos oportunistas. Assistindo à sessão legislativa da Câmara Municipal eu tive a plena convicção de que fiz a coisa certa, pois vi a face do asco, do nojo, vi quem gosta de usar pessoas como trampolim. Não vou citar nomes agora, mas vendo o que estão fazendo com meu nome para atacar politicamente a mim e ao prefeito, tenho certeza de que fiz a coisa certa”, desabafou.
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