Terceira Coluna
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DE VOLTA
A sessão da segunda-feira (4) foi marcada por mais uma mudança na composição da Câmara Municipal de Lençóis Paulista. André Paccola Sasso, o Cagarete, que no início de 2017 havia se licenciado para assumir a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura Municipal, está de volta à Casa de Leis para exercer os últimos oito meses de mandato.
REORGANIZAÇÃO
Ele pediu exoneração do cargo de secretário na semana passada, após discutir o assunto com o prefeito Anderson Prado de Lima (DEM). Sua saída, apesar de não estar inicialmente prevista, é uma das medidas da reorganização administrativa que visa aliviar os cofres públicos devido à queda de arrecadação ocasionada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19).
SUPER-SECRETÁRIO
Com a saída, Júlio Gonçalves, secretário de Planejamento e Urbanismo, que já acumularia a chefia das pastas de Finanças e Convênios e Captação de Recursos, também passa a responder pelas secretarias de Desenvolvimento Econômico e Turismo, esta última antes comandada por Cíntia Duarte (DEM), ex-vice-prefeita que renunciou ao cargo no dia 22 de abril.
NOVO LÍDER
Cagarete, que ao retornar à Câmara Municipal assumiu o posto de líder do governo, foi eleito para seu segundo mandato em 2016, com 857 votos. Na época, estava no PSDB, pelo qual já havia entrado quatro anos antes, com 1.360 votos. Deixou a sigla no mês passado para se filiar ao Democratas (DEM), partido também escolhido pelo prefeito Prado em fevereiro deste ano.
LITÍGIO
O rompimento com a legenda, no entanto, ocorreu muito antes e de forma litigiosa. Ainda no início de 2017 Cagarete se licenciou do Legislativo depois de ter aceitado o convide do prefeito Prado para assumir o cargo no governo. Na ocasião, disse que a motivação foi a chance de poder contribuir mais com a cidade. Não contava, porém, com a ira tucana.
RETALIAÇÃO
Após o ocorrido, o ex-prefeito José Antonio Marise, então presidente do Diretório Municipal, derrotado por Prado nas eleições (16.554 a 15.532 votos), acusou Cagarete de infringir o Código de Ética ao aceitar ser secretário. A retaliação resultou em um processo na Comissão de Ética e Disciplina do PSDB, com um pedido de expulsão feito por Marise.
DE BOA
No julgamento, que aconteceu em abril do mesmo ano, por 14 votos a nove, o Diretório Municipal aprovou a controversa expulsão, mas o ato nunca foi consumado devido aos recursos movidos nas esferas superiores. Em outras palavras, Cagarete não chegou a sair pela porta da frente, mas foi embora pela porta dos fundos quando quis e para onde bem entendeu.
XEQUE-MATE
Mais do que isso, o agora ex-secretário municipal deixou o ninho onde já não era bem-vindo levando consigo a parte que lhe cabia: o direito legitimamente adquirido nas urnas de retomar a cadeira na Casa de Leis se assim desejasse, amparado pelas regras da Justiça Eleitoral, já que trocou de sigla dentro do período da janela de transferências partidárias.
FIM DA LINHA
O que era uma remota possibilidade se confirmou, para o azar de Irani Gorgônio (PSDB), suplente - obteve 701 votos em 2016 - que ocupou o cargo nos últimos três anos. Pega de surpresa entre uma sessão e outra do Legislativo, conseguiu se despedir apenas por meio de um vídeo exibido na última segunda-feira (4). Resta a ela tentar regressar como efetiva nas próximas eleições.
NÃO PODE MAIS
Já Cagarete, que perdeu o prazo de desincompatibilização da Justiça Eleitoral, que determina que aspirantes ao Legislativo se afastem de cargos de confiança de primeiro escalão - como o de secretário municipal - pelo menos seis meses antes das eleições, não pode concorrer como vereador, apenas como prefeito ou vice. Tudo muda se o pleito for adiado por causa da pandemia, o que lhe coloca novamente dentro na janela.
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