Publicidade
Publicidade
Publicidade
"É pior do que começar do zero", diz comerciante
Além das perdas ocasionadas pela enchente, preocupação agora é com as dívidas que ficaram para pagar
DESOLADO - O comerciante Silas fala sobre a tristeza de perder tudo
O que se viu na manhã de quarta-feira, dia 13, na região da Avenida 25 de Janeiro, no centro comercial da cidade, foi o rastro da destruição causada pela força das águas do Rio Lençóis durante a pior enchente que se tem notícia. Equipes da Prefeitura, SAAE, voluntários e pessoas que tiveram suas casas e estabelecimentos invadidos pela água trabalhavam na limpeza da sujeira acumulada nos imóveis e nas ruas.
O nível da água subiu mais de três metros acima da rua, chegando até o telhado dos imóveis em alguns pontos. O resultado foi desastroso. Por onde passou, a água fez estragos e do que não foi levado pela correnteza pouco poderá ser reaproveitado.
A maioria dos comerciantes não consegue nem contabilizar os prejuízos. Mobiliário, eletrodomésticos, equipamentos eletrônicos, mercadorias, estoques, documentos, quase tudo foi perdido.
Muitos trabalham há anos naquela região e já enfrentaram outras inundações. Talvez por isso, saibam da dificuldade que será recomeçar. Além das perdas, ainda incalculáveis, a preocupação de quase todos os entrevistados é com as dívidas que ficaram.
É o caso de Silas Boraneli, de 48 anos, que teve duas lojas e casa destruídas na 25 de Janeiro. "É pior que começar do zero, porque além de perder tudo, temos as dívidas. Mercadorias para acertar, boletos para pagar, cheques para cobrir. Nada disso espera", lamenta o lojista, que diz que os comerciantes da área não sabem como vai ser a partir de agora.
“Vamos precisar de ajuda. Talvez tentar de alguma forma que o Governo do Estado consiga viabilizar junto ao BNDS alguma linha de crédito para que a gente possa recomeçar", comenta. O prejuízo, segundo ele, ainda é impossível de contabilizar, mas ultrapassa a casa dos R$ 100 mil.
PREVENÇÃO
Ana Maria Moreira, 49 anos, viu o estabelecimento que a família mantém há 40 anos ser devastado pela água na esquina da rodoviária. Para ela, a Defesa Civil falhou ao não orientar as pessoas a tirarem tudo que podiam, não prevendo o que poderia acontecer. "Se a gente soubesse que existia a possibilidade de acontecer isso tinha dado tempo de socorrer as coisas”, disse.
Ela relata que, por volta das 21h de terça, a orientação que recebeu foi apenas para deixar as coisas em lugares altos, mas no início da madrugada (já na quarta) a água começou a tomar conta do local e subir rapidamente. Por volta das 11h da manhã de quarta a água já havia chegado à metade do quarteirão entre as ruas 25 de Janeiro e a 15 de Novembro.
Ronaldo Melo, de 44 anos, foi um dos mais prejudicados. Proprietário de três lojas na área atingida, ele conta que perdeu praticamente tudo. Para piorar, sua casa, na Rua Cel. Joaquim Gabriel, também foi alagada, aumentando ainda mais o prejuízo.
"Saímos com a roupa do corpo e alguns documentos. Não deu tempo de salvar nada. Eles (funcionários da Prefeitura) só pediram para a gente erguer as coisas que a água ia subir, mas não fomos alertados sobre o risco de chegar nessa situação. Fomos pegos de surpresa", destaca.
AREA CENTRAL
Não foram apenas os comerciantes diretamente atingidos pela enchente que sentiram os reflexos do dia de caos que Lençóis viveu na quarta-feira. Muitas lojas das ruas 15 de Novembro e paralelas entre a Pedro Natálio Lorenzetti e Raul Gonçalves de Oliveira fecharam suas portas diante do tumulto.
Alguns lojistas, inclusive, apesar de situados acima da Rua 15, optaram pela prevenção e esvaziaram suas lojas com medo que algo pior acontecesse. Informações desencontradas e boatos que circularam entre a própria população aumentaram ainda mais o clima de apreensão.
As agências bancárias mantiveram os caixas eletrônicos funcionando por algum tempo, mas muitas pessoas reclamaram que não estavam conseguindo sacar dinheiro nem pagar contas no período da tarde.
Com a rodoviária alagada, o ponto de circular passou a funcionar na Rua Geraldo Pereira de Barros e o trânsito foi bastante complicado na região, principalmente por conta do grande fluxo de curiosos pelas ruas do Centro. A situação foi menos complicada ontem e quinta-feira, mas a situação deve começar, de fato, a se normalizar, apenas na próxima semana. 
SHOPPING
No Paulista Shopping, com o primeiro piso totalmente tomado pela água, as coisas que puderam ser salvas de um restaurante e uma loja de decorações foram levadas para o segundo nível, que ficou amontoado de coisas. O local, que também ficou sem energia, teve que ser fechado.
Luciana Fátima de Paula, proprietária de um café, não sabe precisar quanto deixou de ganhar nesses dias, mas reconhece que o ocorrido comprometeu bastante o faturamento. O casal Mayara Ferreira e Raldy Paschoarelli, que tem um estúdio de tatuagem e piercing contabiliza que o prejuízo, até ontem, chegaria a R$ 5 mil. "Tínhamos várias tatuagens e piercings agendados até sexta e não temos condições de trabalhar aqui. Vamos ver se conseguimos, provisoriamente, atender na casa de um amigo" destacou Mayara.
comentários 0 Comentário
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
  • Ainda não há nenhum comentário para a matéria. Seja o primeiro!
Publicidade
Publicidade

Todos os direitos reservados © Jornal O ECO 2017 - oeco@jornaloeco.com.br - telefone central: (14) 3269-3311

desenvolvido por Natus Tecnologia