“Temos que trabalhar o capital intelectual humano”
Prefeito fala dos desafios para os primeiros meses de seu governo
“Temos que trabalhar o capital intelectual humano”
SAÚDE - Um dos primeiros projetos do atual governo foi zerar a fila de exames e cirurgias (Foto: Kátia Sartori/O ECO
A reportagem de O ECO entrevistou na semana passada o prefeito de Agudos, Altair Francisco da Silva (PRB). Assim como outros administradores com quem o jornal conversou, ele reclamou do desafio de colocar a Prefeitura em ordem nos primeiros meses de governo: manutenção da frota, limpeza pública e reposição de estoques.
Conforme foi prometido em campanha, Altair da Saúde – alcunha que recebeu por já ter comandado a pasta por vários anos – diz que está trabalhando para zerar fila de exames e cirurgias. Ainda na área de Saúde, quer uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no Hospital de Agudos. 
O prefeito reconhece que a posição geográfica de Agudos faz com que a cidade atraia investimentos de diversas empresas e que mantenha a arrecadação municipal alta, mesmo em tempos de crise. Segundo ele, é necessário investir em educação formal e profissionalizante, o que ele chama de ‘capital intelectual humano’, para que o crescimento venha acompanhado de justiça social. 
O ECO– Como foram os três primeiros meses de governo e qual a principal dificuldade encontrada? 
Altair – Foram quase três meses de bastante dificuldade. A principal foi a frota de veículos sucateada: máquinas, caminhões quebrados e no período de janeiro tivemos bastante chuva. Então esta foi uma das principais dificuldades encontradas, mas que foi superada já: consertamos todos os veículos, máquinas, caminhões. Outra dificuldade foi como consertar, porque o prefeito anterior havia deixado dívidas em praticamente todas as oficinas que forneciam peças. Existiam muitas dívidas não empenhadas e as oficinas não queriam vender. Consegui através do diálogo, da credibilidade, o fornecimento das peças e serviços. Como choveu o mês de janeiro inteiro, a cidade estava muito suja, desde outubro não tinha manutenção, nós criamos um sistema de mutirões. Todos os sábados a equipe da garagem, trabalhadores braçais, cargos comissionados, voluntários e até funcionários de outras pastas, eu, o vice-prefeito, secretários, nos unimos e começamos a realizar esses mutirões nos bairros. Conseguimos limpar mesmo uma grande parte da cidade. Nesse movimento fazíamos também o tapa-buracos, pintura de guias, se houvesse algum problema de esgoto, a Sabesp já era procurada para fazer o reparo. Só de um bairro, o São Vicente, que não é tão grande, nós tiramos 85 caminhões de lixo (entulho, móveis velhos) enfim, coisas que estavam prejudicando o bairro. Na área de saúde, estávamos com muitas filas, de cirurgias, exames, tínhamos mais de 1.300 ultrassons aguardando. Já conseguimos zerar a fila de seis exames e já estamos em processo para zerar outras filas. Nas farmácias, não tinha licitação de medicamentos desde 2015 e estava totalmente precária. Realizamos uma concorrência pública e já chegaram 80% de itens padronizados. Falta chegar 20%. Mas já foi uma grande conquista. Na Educação, antigamente era dado um tíquete para uma cesta básica de materiais escolares. O Tribunal de Contas havia apontado irregularidade e tivemos que comprar os kits ao invés de dar o tíquete. Na licitação, os kits saíram pela metade do valor dos tíquetes. Acredito que a iniciativa mais importante nesse curto período foi a implantação do pregão, porque até então não existia. Além disso unificamos as compras. Antigamente cada setor fazia sua compra e o mesmo produto era comprado por quatro ou cinco valores diferentes. Com essa padronização e unificação, conseguimos aumentar o volume de compras e garantimos melhor preço. Deu maior transparência também. Realizamos os primeiros pregões na Câmara Municipal, que é o órgão fiscalizador da Prefeitura, para que todos pudessem ver como era realizado.
O ECO – Falando em Câmara, como está o relacionamento com o Legislativo.
Altair – Com a Câmara em geral está bom. Adotei uma linha de trabalho que eu quero fazer gestão. Isso envolve planejamento, organização, controle e direcionar o serviço público para todos, o que é de interesse da população. Talvez essa postura tenha desagradado alguns. E também tem um grupo que perdeu a eleição que acaba trazendo uma questão política, emocional e não realista da situação. Como gestor, eu aceito a crítica. Mas de modo geral percebo que existe uma torcida para que o governo não vá bem. 
O ECO– O senhor sabia que iria ter uma oposição forte na Câmara?
Altair – Sim, mas não imaginava que fosse levado para o lado político e pessoal. 
O ECO – O senhor está enfrentando problemas que atrapalham a governabilidade, como engavetamento de projetos?
Altair – Por exemplo, na última segunda-feira (15 dias) mandei um projeto para a Câmara para colocar dotação orçamentária na pasta de Agricultura e Meio Ambiente. Por questão política, pediram vistas, enviaram para comissões. Um tipo de projeto que sempre votaram sem questionamento em gestões anteriores. Não tinha motivo de segurar. Temos que mexer no aterro sanitário e preciso dessa dotação para poder empenhar o serviço, tendo em vista que estou trabalhando com o orçamento elaborado pela administração anterior. Este serviço deveria ter sido previsto, mas não foi. Eu tenho que adequar o orçamento de acordo com a realidade que estamos trabalhando hoje. 
O ECO – Agudos é um município com bons índices econômicos, empresas que garantem boa arrecadação de impostos, mas essa riqueza não se reflete nos índices sociais. Como resolver isso?
Altair – Agudos vem evoluindo ao longo dos anos. Em termos de asfaltamento, atingimos praticamente 100%. Mas temos que trabalhar o capital intelectual humano. Temos que valorizar o indivíduo, o social. Melhorar a educação, investir na qualidade, no treinamento das pessoas, em cursos de capacitação. Então essa parte de desenvolvimento pessoal e econômico é fundamental, Agudos, que tem duas grandes empresas, também tem recebido outros investimentos. Elas atuam num mercado altamente competitivo. O capital humano é o diferencial das empresas. Para isso a gente tem que ter uma população preparada, qualificada, para mesmo que a gente tenha empresas, essas empresas não tenham que buscar mão de obra fora. Para que a economia gire, não somente em Agudos, mas também em toda a região. 
O ECO – Como o seu governo pretende tratar a geração de empregos?
Altair - Nossa expectativa é fomentar a construção civil, pois temos um déficit habitacional muito grande, e por outro lado, nós temos uma localização muito boa, numa região muito boa, e há interesses de investidores colocarem seus empreendimentos aqui. Por meio da construção civil, vamos gerar um grande número de empregos. Sobre a vinda de novas empresas, estamos trabalhando com algumas empresas que já sinalizaram a vinda para cá. Duas empresas já compraram áreas e estão construindo às margens da Rondon (SP-300), que é a Madeiranit e a Plasútil, que comprou uma área boa em Agudos.
O ECO – O que o senhor tem de novidade para anunciar?
Altair – Semana que vem estou indo para Brasília, onde tenho uma audiência com o Ministro da Saúde. Vou levar o projeto da UTI de Agudos, um pré-projeto. A nossa ideia é colocar essa UTI dentro do Hospital de Agudos, que é uma instituição particular, mas tem convênio com o SUS. A forma de funcionamento ainda será definida. Temos outros vários projetos. Estamos buscando um parque tecnológico aqui para Agudos e a criação de um novo distrito industrial, e uma incubadora de tecnologia. São várias coisas agregadas, tudo para fomentar e incrementar a geração de emprego, e atrair as empresas. Temos a intenção de criar mais uma avenida, ali próximo ao Kart, onde será aberta uma nova frente de empreendimentos. Ainda não podemos divulgar, por uma questão de estratégia de mercado. Será um novo braço da cidade. Estamos bem encaminhados. 
O ECO – Qual a mensagem para a população de Agudos?
Altair – Minha mensagem é de otimismo. Que a população de Agudos continue acreditando. Não estamos vivendo um quadro estável, nem aqui nem no restante do Brasil, mas aqueles que se prepararam no momento da crise, quando ela passar, vão crescer. Ao invés de olhar a crise, vamos olhar as oportunidades. E nessas oportunidades, vamos trabalhar em cima delas para que a gente venha usufruir futuramente. 
comentários 0 Comentário
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
  • Ainda não há nenhum comentário para a matéria. Seja o primeiro!

Todos os direitos reservados © Jornal O ECO 2019 - oeco@jornaloeco.com.br - telefone central: (14) 3269-3311

desenvolvido por Natus Tecnologia