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Resistindo ao tempo
Há 27 anos com o bar na Avenida Padre Salústio, seo Wilson mantém a clientela fiel, apesar da queda no movimento da avenida
Resistindo ao tempo
PIONEIRO - Seo Wilson mantém há 27 anos o bar na Avenida Padre Salústio, sempre no mesmo local (Foto: Elton Laud/O ECO)
As páginas do Jornal O ECO já contaram, ao longo de todos esses anos, muitas histórias de nordestinos que partiram de suas cidades de origem para tentar a vida no estado de São Paulo e acabaram fincando suas raízes em Lençóis Paulista. Pessoas batalhadoras que deixaram para traz as dificuldades da vida no sertão para encarar de peito aberto os novos desafios. Sempre em busca de melhores condições para constituírem suas famílias, criarem seus filhos. Trabalhadores que com cada gota de seu suor contribuíram para o desenvolvimento da cidade e de tantas outras pela região.
O personagem da vez é Wilson Marques de Carvalho, ou apenas seo Wilson, de 55 anos. Natural da cidade de Paulistana, que fica em uma região de caatinga no extremo sudeste do Piauí, distante cerca de 460 quilômetros da capital Teresina. Seo Wilson deixou sua terra natal em 1979, quando tinha apenas 18 anos, para trabalhar em São Paulo. Veio sozinho, deixando para traz os pais e nove irmãos.
Trabalhou durante dois anos em uma fábrica de tecelagem na capital, até que em 1982 resolveu tentar a vida no promissor interior do estado. "Conhecia bastante gente que veio do Piauí para trabalhar em Lençóis Paulista. Em São Paulo, naquela época, o salário que recebia era muito baixo, mal não dava para se manter. Então decidi vir tentar a sorte aqui", explica.
Logo que chegou na cidade começou a trabalhar Usina Barra Grande, no controle de sacaria. Permaneceu na função por sete anos, quando decidiu trabalhar por conta própria e montou, em 1988, o famoso "Bar do Wilson", na avenida Padre Salústio Rodrigues Machado. O bar, hoje com 27 anos de existência, é o mais antigo em funcionamento daquela região da cidade.
Lá acompanhou de perto todas as mudanças de fluxo de movimento da noite lençoense, que já se concentrou na parte baixa da avenida, depois subiu até chegar na outra extremidade, próximo à Rodovia Osni Mateus, desceu novamente até a região do Fórum, e hoje quase que acabou por completo. Mudanças do tempo.
Tempo ao qual o bar  e o próprio Wilson resistem bravamente. O movimento não é o mesmo de antes, lembra o comerciante, mas a fiel clientela que cativou ao logo desses anos, ajudam a manter o negócio funcionando e o fazem querer sempre continuar.
Nunca pensou em parar e seguir outro caminho. O bar sempre foi sua vida. Trabalha de segunda a segunda, de janeiro a janeiro. Tira férias apenas a cada três anos, quando, junto com os três irmãos que também acabaram se mudando para Lençóis, dá uma pausa para visitar o restante da família que ficou no Piauí. O pai faleceu há pouco mais de dois anos, mas lá ainda moram sua mãe, que tem 78 anos, e os outros seis irmãos.
Wilson conta que já programou a aposentadoria para daqui seis anos, quando quer passar o bastão de vez para o único filho e ajudante, Alex, e curtir um pouco mais as duas netinhas. Até lá ele pretende continuar exercendo com o mesmo pique a função que aprendeu ainda criança com o pai, que também tinha um bar no Piauí.
"Eu gosto muito do que faço e vou continuar gostando até o fim. O bar é um ambiente que permite que a gente conheça muita gente e faça muitos amigos. Alguns clientes frequentam aqui desde os primeiros anos. Aqui vem gente de todo tipo e atendo todo muito da mesma forma, como tem que ser. Para mim não tem preto, não tem branco. Não tem rico, não tem pobre. somos todos iguais", ressalta.
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