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Um ‘fazedor de instrumentos’, sim senhor
Apaixonado por música, Bruno Galli escolheu a luteria como profissão
Um ‘fazedor de instrumentos’, sim senhor
MINUCIOSO - Bruno Galli executa com perfeição cada etapa do processo de construção de seus instrumentos - (Foto: Elton Laud/OECO)
A música é, sem dúvida, algo fascinante. Certamente uma das maiores realizações humanas no campo artístico. Sem exagero, seria impossível imaginar o mundo sem ela, que nos acompanha em praticamente todos os momentos de nossas vidas. O trabalho do músico é sublime, e tão sublime quanto tal é o trabalho do luthier, que através de sua arte de fabricar os instrumentos musicais possibilita que a música exista em sua plenitude. 
A luteria é uma profissão muito antiga, porém, pouco conhecida. Na maioria das vezes é um conhecimento que se passa de geração para geração, de pai para filho. Algumas instituições ao redor do mundo oferecem cursos de luteria, poucos deles de nível superior, como na Universidade Federal do Paraná (UFPR), que tem o único do país nesta condição. Foi lá que o macatubense Bruno Galli, de 25 anos, estudou e se tornou um “fazedor de instrumentos”. Graduado, e dos bons.
Galli revela que a música sempre esteve presente em sua vida. Desde os primeiros contatos com o violão, aos sete anos, até a adolescência, seu desejo sempre foi seguir profissionalmente na área. Chegou a tentar, inclusive, mas percebeu que aquele não era o caminho.
"Eu sempre toquei, mas não tinha tanto conhecimento teórico para entrar em uma faculdade de música. Precisaria aprender mais sobre teoria musical, mas achei que não era viável passar talvez três ou quatro anos estudando para depois prestar um vestibular e me formar com quase 30 anos", explica.
Foi analisando outras possibilidades que se encantou pela luteria, depois que o pai, que assistia a uma reportagem sobre o curso da UFPR, lhe sugeriu conhecer um pouco mais sobre a profissão. "Eu sabia pouco sobre o trabalho dos luthiers. Já havia até cotado umas coisas com alguns deles, mas conhecia a profissão apenas por alto. Foi depois que vi a reportagem que comecei a pesquisar mais sobre o curso e achei muito legal", comenta.
No mesmo ano (2011), prestou o vestibular na UFPR e foi aprovado. Se mudou de Macatuba para Curitiba e iniciou o curso no início de 2012. "Foi uma experiência muito nova e ao mesmo tempo muito rica. Entrei na faculdade totalmente cru, sem saber absolutamente nada. Aprendi tudo o que sei durante o curso, nos três anos que morei lá”, destaca.
Após a formatura, no final de 2014, Bruno se mudou para Lençóis Paulista e no início de 2015 montou o ateliê no Jardim Village, onde se dedica à produção de instrumentos de corda acústicos e dedilhados, como violões, violas e ukuleles (não fabrica os friccionados, como violino e violoncelo, nem os elétricos, como guitarra e contrabaixo).
Hoje, com pouco mais de um ano de atividade, o luthier vem conquistando cada vez mais espaço no mercado. Por aqui, ele revela que o campo ainda é um pouco restrito e os serviços se concentram mais na parte de restauração, reparos e regulagens, mas já produziu instrumentos para clientes de diversos estados, como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, além de São Paulo, capital.
Seu maior prazer, ressalta, é ver a matéria prima bruta sendo transformada a cada detalhe, cada etapa do árduo e minucioso processo, que leva em média três meses para ser finalizado. “Ver o negócio se transformado é algo incrível, fascinante. Você não tem noção a alegria que eu sinto a hora em que chegam os materiais que eu encomendo para iniciar um novo projeto. A sensação de ver esse monte madeira passando por um trabalho todo artesanal até chegar ao resultado final, com aquele som lindo, perfeito, é indescritível”, completa.
Ainda que, por questões culturais, algumas pessoas não deem o devido valor ao trabalho dos luthiers, Galli vê na profissão um futuro promissor. Para ele, a riqueza de detalhes e o cuidado em cada parte do processo dão aos instrumentos feitos de forma artesanal uma qualidade que a produção em série jamais poderia dar. Motivo pelo qual sua clientela cresce a cada dia.
“Os clientes que procuram um luthier sabem disso. Buscam uma qualidade que um instrumento de fábrica não oferece. Cada instrumento, mesmo que feito exatamente da mesma forma, com os mesmos materiais, é único. E é justamente esse o legal da profissão. Ser luthier para mim não é fazer repetição é produzir instrumentos únicos”, finaliza.
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