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Arte na pele e o combate ao preconceito
Tatuadores e piercer de Lençóis Paulista disseminam sua arte e lutam contra o preconceito de parte da sociedade
Arte na pele e o combate ao preconceito
Embora muitos vestígios históricos sugiram que modificações no corpo como as tatuagens e o uso de adornos similares aos piercings sejam práticas milenares ligadas à cultura de diversas civilizações da Antiguidade e até mesmo de povos pré-históricos, no mundo contemporâneo isso foi por muito tempo associado à transgressão e à marginalidade. Nos dias atuais, mesmo que um pouco deste preconceito generalizante tenha se esvaído, ainda é comum observar as pessoas mais conservadoras “olhando torto” para alguém fora dos padrões estéticos estabelecidos pela sociedade.
Difícil é encontrar alguém que tenha uma tatuagem ou um piercing que nunca tenha passado por este tipo de constrangimento. “Você fica meio incomodado por algumas pessoas ficarem te encarando quando você está passando. Talvez muitos olhem por achar diferente ou até por curiosidade, mas alguns têm muito preconceito. Outro dia, por exemplo, eu estava atravessando a rua e uma mulher começou me apontar do nada. Muita falta de noção”, comenta Luiz Roberto Santoni, de 22 anos, que além de ter várias tatuagens, trabalha com aplicação de piercings há cerca de dois anos.
Alguns casos chegam a ultrapassar o limite do constrangimento e beiram o abuso. O tatuador Raul Giglioli, de 24 anos, conta que uma vez na cidade de Santos foi abordado por policiais enquanto almoçava com amigos em um restaurante japonês. “Chegaram quatro viaturas na porta do restaurante e os policiais já entraram apontando as armas para a gente. Depois disseram que um banco tinha sido roubado e os assaltantes eram todos tatuados. Agora, porque você é tatuado você tem que ser confundido com bandido?”, questiona.
No entanto, a criação deste estereótipo não impede que os piercings e principalmente as tatuagens ganhem mais adeptos a cada dia. O fato é que, apesar do preconceito ainda presente, a tatuagem ganhou com o passar do tempo, desde as rudimentares formas de marcar a pele com objetos pontiagudos (espinhos ou pedaços de ossos) e pigmentos extraídos de plantas, até os dias de hoje, status de arte. E na mesma proporção em que cresce o número de apreciadores cresce também a quantidade de tatuadores/artistas espalhados pelo mundo.
Talvez muito do espaço que a arte ganhou nos últimos tempos se deve à exposição proporcionada pela mídia através dos artistas e atletas, principalmente jogadores de futebol, que hoje em dia desfilam aos montes com seus desenhos espalhados pelo corpo e influenciam de certa forma o comportamento das pessoas. “Algumas pessoas fazem pela estética, por moda, ou simplesmente porque gostam ou por conta de algum significado que um desenho representa. Mas para quem trabalha com isso não importa. A gente faz pela arte, faz porque gosta de desenhar”, destaca o tatuador Raul, que atua profissionalmente há cerca de quatro anos.
E o gosto pelo desenho obviamente é um requisito para um bom tatuador. Não por acaso, praticamente todos os que seguem profissionalmente na área têm intimidade com os traços de longa data. “Ninguém aprende a desenhar fazendo tatuagem. É uma coisa que vem desde criança. A maioria de nós praticamente nasceu com um lápis e papel na mão. Depois você começa a tatuar os amigos quase que por brincadeira, e quando percebe não consegue se ver mais fazendo outra coisa”, ressalta Neyll Adhans, de 32 anos, que é tatuador profissional há cerca de dois anos.
Os três entrevistados, que atualmente dividem o mesmo estúdio, localizado na Rua Pedro Natálio Lorenzetti, no Centro de Lençóis Paulista, avaliam que ainda há muito que se evoluir em relação ao assunto, mas seguem firme, trabalhando naquilo que gostam e difundindo sua arte contra todo e qualquer tipo de preconceito.
A recomendação para quem quer uma tatuagem ou um piercing é procurar conhecer o trabalho do profissional e saber se o local em que ele atende cumpre a todas as recomendações de higiene esterilização dos instrumentos antes de escolher com quem e onde fazer.
“Também é muito importante que a pessoa tenha certeza do que quer. Tatuagem é algo definitivo e quem quiser fazer deve pensar bastante antes. Afinal, é uma coisa que ela vai carregar para o resto da vida e se arrepender depois não adianta. O processo de eliminação com o laser é muito mais caro e doloroso. Então não vale a pena fazer algo por impulso”, orienta Neyll.
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