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O homem das máquinas
Macatubense Martin Sbaraglini ganha a vida como técnico em manutenção de máquinas de costura, uma profissão não muito comum
O homem das máquinas
VOCAÇÃO - Entre engrenagens, bielas e pistões, Martim diz se sentir realizado - (Foto: Elton Laud)
Muitas pessoas vivem na adolescência o dilema de ter que escolher uma profissão. Algo em que se especializar para entrar no mercado de trabalho cada vez mais competitivo e conseguir tirar o seu sustento. Outras simplesmente são escolhidas, mas tomam tanto gosto pela coisa, que até parece que desejaram aquilo desde o primeiro dia de suas vidas. Esta introdução descreve bem a relação do macatubense Martim Sbaraglini Filho, de 54 anos, e a atividade de técnico em manutenção de máquinas de costura. Uma profissão não muito comum e cada vez mais rara de se encontrar.
Ele conta que aprendeu o ofício por acaso. Aos 16 anos, quando conseguiu o seu primeiro emprego formal em uma confecção de Macatuba, foi questionado por um uruguaio, que havia sido contratado para fazer a manutenção das máquinas de costura, se gostaria de aprender a profissão. Viu aquilo como uma oportunidade e não hesitou em dizer que sim.
“Podemos dizer que 99% da profissão é a paciência. Muitos aprendem a função, mas acabam deixando de lado porque não têm paciência. Hoje eu sei disso. E aquele uruguaio também sabia e quis testar até onde eu iria. Me deixou dois meses só fazendo limpeza nas máquinas, mas eu continuei firme e aos poucos fui aprendendo tudo. Hoje já fazem 38 anos que trabalho com isso e não consigo me ver fazendo outra coisa. Eu não gosto do que faço. Eu amo”, ressalta.
Depois de ter trabalhado cinco anos na confecção onde aprendeu a atividade, Martim passou por outras empresas, como uma representante da Pfaff - fabricante alemã de máquinas de costura -, onde prestava assistência técnica, e também na Usina São José, onde fazia a manutenção das máquinas responsáveis por costurar os sacos de açúcar da antiga refinaria. Porém, a maior parte deste tempo seguiu trabalhando como autônomo.
Iniciou em Macatuba prestando pequenos serviços de assistência técnica, depois montou uma loja em Jaú, onde ficou por cerca de oito anos, até optar por se dedicar à empresa que a esposa, Roselena Aparecida Boscolo Sbaraglini, com quem é casado há 31 anos, havia montado na cidade. A confecção, que tinha cerca de 50 funcionários, prestava serviços de forma terceirizada para uma fábrica de calças jeans, mas depois de alguns anos de funcionamento acabou fechando as portas em 2008 por conta da crise.
Foi quando Martim, que já tinha alguns clientes em Lençóis Paulista, decidiu montar uma oficina na cidade. Escolha que ele diz ter sido mais que correta. “Hoje eu ainda presto serviços em confecções de diversas cidades da região, como Itapuí, Barra Bonita, Igaraçu do Tietê e Boraceia, mas nenhuma se compara a Lençóis. Aqui não me falta serviço. Não tenho do que reclamar. Aprendi a amar de coração essa cidade que me abriu as portas”, revela o técnico.
Martim diz que irá se aposentar no final deste ano e talvez diminuir o ritmo e se dedicar um pouco mais à pescaria, outra atividade que não consegue ficar sem, mas não pretende parar de trabalhar. “Enquanto eu tiver condições não pretendo parar de vez. Até quando eu estiver enxergando bem e conseguir apertar um parafuso eu vou continuar. Eu penso que se você se desliga de algo que gosta deixa parte de você para traz. Isso é minha vida e enquanto eu viver estarei fazendo o que gosto”, finaliza o técnico que já consertou mais de cinco mil máquinas de costura e pelo jeito pretende consertar outras cinco mil.
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