Libras nas mãos e no coração
Por iniciativa de Isvete Payão, coletivas de imprensa da Prefeitura de Lençóis Paulista se tornaram acessíveis aos surdos
Libras nas mãos e no coração
CIDADANIA - Coletivas de Imprensa passaram a contar com tradução para Libras pela atuação da intérprete Isvete Payão (Foto: Breno Medola/O ECO)
Desde que o novo coronavírus chegou ao Brasil, a população de todo o país acompanha diariamente as notícias atualizadas sobre os desdobramentos da pandemia. O volume de informações sobre o assunto é muito grande, mas nem todo o conteúdo chega de forma acessível às pessoas com necessidades especiais, como os deficientes auditivos, que encontram dificuldade para ter acesso a explicações e dados corretos sobre a Covid-19. Em Lençóis Paulista o problema foi parcialmente solucionado graças à atuação de uma voluntária, que desde a última segunda-feira (18) participa das coletivas de imprensa realizadas pela Prefeitura Municipal. 
É por meio das mãos, gestos e expressões faciais que Isvete Carlos Lourenço Payão, de 55 anos, abriu as portas para a inclusão social e está dando um exemplo de cidadania. Através da Língua Brasileira de Sinais (Libras), ela tornou os encontros realizados para manter a população atualizada sobre as ações de enfrentamento à Covid-19 acessíveis aos que não ouvem. “Fico muito preocupada com os surdos que não tem acesso à Língua Portuguesa e não compreendem bem as escritas, muitas vezes, eles pedem informações nas redes sociais por ficarem perdidos e isso me dói”, comenta.
Atuando como intérprete e tradutora de Libras há mais de 20 anos, Isvete, que é natural da cidade de Assaí, no Paraná, mas se considera lençoense de coração, sentiu que precisava fazer algo pela parcela desassistida da população de Lençóis Paulista e decidiu se oferecer voluntariamente para participar das coletivas. “Eu entrei em contato com a assessoria de imprensa e, depois de uma reunião, eles me retornaram confirmando minha participação”, conta a voluntária, que desde o início tem recebido retorno muito positivo da população.
Com o espírito solidário, Isvete conta que sempre atuou de forma voluntária em diversas causas e projetos. Nesta pandemia, por exemplo, já ajudou na distribuição de máscaras para Unidades de Saúde e pessoas com deficiências visual e auditiva. O envolvimento com a Libras começou no ano de 1996, quando se interessou pela língua dos sinais e iniciou os estudos. “Hoje, sou formada como intérprete e tradutora, mesmo assim, continuo estudando para poder fazer com êxito a tradução. Libras requer um estudo contínuo, que não deve ser interrompido”, acrescenta.
Além de participar das coletivas, ela também pretende fornecer informações sobre a pandemia em suas páginas no Facebook (Trio Voz do Calvário e Tradutor e Intérprete de Libras). “A gente sabe que a grande mídia não passa as informações em Libras, por isso, também pretendo criar um grupo com o objetivo de interpretar notícias e informações oficiais do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS), para que as pessoas surdas possam ter acesso às informações corretas”, explica Isvete, que se sente realizada por poder contribuir para a inclusão.
“Sou grata pela minha participação nas coletivas de imprensa da Prefeitura Municipal. Com certeza está ajudando quem não houve a entender melhor a situação desta pandemia, a como agir e se proteger, pois, sabendo corretamente das estatísticas e do avanço do coronavírus na cidade, os cuidados deles também dobram. Quero agradecer ao prefeito Anderson Prado de Lima pela oportunidade, aos integrantes do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 e aos jornalistas pela ótima recepção”, finaliza a voluntária.
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