Confira a entrevista com Ricardo Conti Barbeiro
Secretário de Saúde de Lençóis Paulista vê a cidade preparada para enfrentar o avanço da Covid-19
Confira a entrevista com Ricardo Conti Barbeiro
ENTREVISTA - Secretário de Saúde, Ricardo Conti Barbeiro, falou da importância da testagem (Foto: Wagner Gonçalves/Divulgação)
Seguindo com a série especial de entrevistas com os profissionais envolvidos no combate ao novo coronavírus (Covid-19) em Lençóis Paulista, O ECO publica hoje (23) os principais trechos da conversa com Ricardo Conti Barbeiro, secretário de Saúde do município. Ocupando o cargo desde março de 2017, ele coordena uma extensa equipe que atua na linha de frente da Atenção Básica, que desempenha um papel fundamental para a definição de estratégias de enfrentamento à pandemia.
Formado em Sistemas de Informação com especialização em Administração Hospitalar pelo Inesp (Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa), de Jacareí, Conti adquiriu bastante experiência na área atuando por quatro anos, entre 2013 e 2017, como diretor Administrativo do Hospital Nossa Senhora da Piedade. Antes, também foi diretor Administrativo na Secretaria de Saúde de São Luís, capital do Maranhão, e atuou na parte técnica do Hospital da Vale, na cidade de Canaã dos Carajás, no Pará.
Na entrevista, o lençoense, de 36 anos, fala de diversos assuntos relacionados à pandemia, como a testagem em massa que a cidade está realizando; a atuação da Central de Atendimento que faz a triagem e o acompanhamento de pacientes; o mapeamento da situação local feito com auxílio de uma startup de tecnologia; a estrutura para tratamento da doença, implantada em parceria com a iniciativa privada; entre outros temas pertinentes à pasta. Confira abaixo os principais trechos:
O ECO - Como é estar à frente da Secretaria de Saúde de Lençóis Paulista em tempos de pandemia?
Ricardo Conti - Não é nada fácil, mas é um desafio que me motiva bastante. Diariamente surgem muitas dificuldades, mas saber que o trabalho que é feito na Secretaria de Saúde pode ajudar muitas pessoas me dá forças para continuar sempre buscando o melhor para nosso município. Como secretário, naturalmente já tenho que lidar com os mais variados problemas da população no dia a dia, porém, em momentos como este, as coisas acontecem em um curto espaço de tempo. Por isso, tanto eu como as pessoas que atuam ao meu lado, temos trabalhado intensamente, pensando no bem-estar dos cidadãos e dos servidores públicos envolvidos diretamente no combate à Covid-19, que convivem a todo o tempo com a pressão psicológica causada pela pandemia.
O ECO - Atualmente, você coordena uma equipe de quantas pessoas? Quantas estão mobilizadas diretamente no enfrentamento ao novo coronavírus?
Ricardo Conti - A Secretaria de Saúde conta com uma equipe de aproximadamente 350 servidores, mas também tenho contato próximo com os cerca de 120 profissionais que atuam no Pronto Atendimento - UPA (Unidade de Pronto Atendimento), Pronto Atendimento do Núcleo Habitacional Luiz Zillo e SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que são administrados pela Organização Social de Saúde Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Birigui. Quanto ao enfrentamento ao novo coronavírus, são cerca de 90 profissionais atuando nas ESF do Monte Azul (Antonio Benedetti) e do Núcleo (Dr. João Paccola Primo), além do PAC-19 (Pronto Atendimento à Covid-19) e da Central de Atendimento.
O ECO - Você avalia que o isolamento social foi efetivo na cidade? O comportamento da população contribuiu de alguma forma para minimizar o problema?
Ricardo Conti - Inicialmente, o pico de contágio estava previsto para meados de abril e estamos vendo que aqui, no interior, pode ser agora, no final de maio. Tomando isso como base, podemos concluir que conseguimos retardar o avanço do vírus, achatar um pouco a curva. Particularmente, vejo com bons olhos o isolamento social, o distanciamento, as barreiras sanitárias e todas as medidas preventivas que foram adotadas. Isso contribuiu muito para que nós conseguíssemos ganhar tempo e não sobrecarregássemos, até aqui, o sistema de saúde.
O ECO - Mas você defende a continuidade da quarentena, de repente até com um lockdown a partir de junho, ou é a favor da retomada das atividades não essenciais?
Ricardo Conti - Eu acredito que a questão tem que ser avaliada individualmente, conforme a situação de cada município. São 645 cidades e cada uma tem uma realidade diferente. O Governo do Estado tem que analisar diversos critérios, como a quantidade de leitos disponíveis, o número de respiradores, a quantidade de casos registrados e ativos, a quantidade de pacientes curados, o percentual de contaminação, a taxa de contágio. Tudo tem que ser avaliado de forma individual. Lençóis Paulista tem feito sua lição de casa e está preparada, mas só iremos saber o que vem por aí nos próximos dias.
O ECO - Desde as primeiras semanas do decreto do Governo do Estado de São Paulo, que estabeleceu a quarentena em 23 de março, alguns especialistas previam que maio poderia ser um mês crítico, o que, de fato, está se comprovando. Como você avalia a atual situação em Lençóis Paulista? O avanço está dentro do que era esperado?
Ricardo Conti - Todos sabíamos que era inevitável que o vírus começasse a circular na cidade e prevíamos que os casos começariam a surgir em algum momento, só não tínhamos certeza de quando isso iria acontecer, muito menos de quando começaríamos a ter um aumento grande de casos. No estado, a previsão inicial era que o pico de contágio poderia acontecer em meados de abril, mas depois passou para maio. Realmente, observamos agora a evolução da doença, inclusive na região. Nos preparamos para isso. Fizemos uma parceria com o Hospital Nossa Senhora da Piedade e, com o apoio da Bracell e de outras empresas, conseguimos implantar uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) exclusiva para casos de Covid-19. Agora que estamos diante de uma progressão acentuada, já temos aparato para enfrentar a pandemia, mas continuamos tentando ganhar tempo para nos preparar ainda mais. Estamos em busca de mais equipamentos para utilizar no período mais crítico, que está chegando.
O ECO - Por conta da testagem em massa, temos percebido um crescimento considerável no número de casos, mas também temos observado um aumento expressivo de internações. Há uma explicação para isso?
Ricardo Conti - De modo geral, é normal que a doença inicialmente se desenvolva mais nas pessoas jovens, porque elas costumam circular mais e, por isso, são mais expostas ao vírus. Do mesmo modo, como elas têm uma resistência maior, é natural que apresentem quadros mais graves com menos frequência, o que resulta em menos internações. Porém, com o tempo, o contágio vai se disseminando e a doença acaba chegando às outras pessoas, inclusive as que estão em isolamento social, que são, em grande parte, de grupos de risco, como idosos, diabéticos, cardiopatas e pessoas com outras comorbidades. Isso resulta no aumento dos casos graves da doença e, consequentemente, no aumento de hospitalizações. Mas é uma coisa que estamos medindo no dia a dia, porque não existe um padrão de disseminação e evolução. É tudo muito novo. Sabemos que pessoas de grupos de risco costumam ter mais complicações, mas também temos casos de pessoas jovens, algumas sem nenhuma comorbidade, que estão tendo agravamento. Uma coisa é certa, quanto mais casos forem registrados, mais internações serão feitas, porque o número de casos graves está diretamente ligado ao número de infectados.
O ECO - O PAC-19 (Pronto Atendimento à Covid-19), que foi viabilizado por meio de uma parceria entre a Prefeitura Municipal, o Hospital Piedade, a Bracell e outras empresas, foi inaugurado na última sexta-feira (15). O local está completamente pronto ou ainda necessita de alguma intervenção?
Ricardo Conti - Está pronto e em pleno funcionamento. Apenas a parte de Terapia Intensiva ainda necessita de alguns equipamentos que estamos providenciando para poder ampliar nossa capacidade de atendimento.
O ECO - Nesta semana a vereadora Mirna Justo (PSDB) disse na Câmara Municipal que os respiradores que a Prefeitura Municipal recebeu como doação da Bracell não serviriam especificamente para casos de Covid-19, porque precisariam de uma espécie de filtro. Qual é a real situação?
Ricardo Conti - Os filtros foram providenciados pelo Hospital Piedade. Essa é uma questão superada. A empresa adquiriu respiradores de ótima qualidade, que não atendem a 100% dos casos, mas atendem a 90% da necessidade. Diante da preocupação com a cidade e da vontade de ajudar, eles adquiriram o que estava disponível no mercado, que foi surpreendido por uma grande demanda repentina. Era isso ou nada e, como o próprio prefeito (Anderson Prado de Lima) disse na coletiva de imprensa da quarta-feira (20), foram os únicos que recebemos, pois nem o Governo Federal nem o Governo do Estado nos auxiliaram nesse sentido. São doações de extrema importância para a cidade. Dentro das possibilidades que eles atendem, vão ajudar muito. Alguns respiradores foram alocados na UPA e outros pontos do Hospital Piedade para remanejar os demais para o tratamento de Covid-19. Todos podem e serão utilizados conforme a necessidade, dentro da segurança devida. 
O ECO - Nesta semana a Câmara Municipal aprovou um projeto que autoriza a Prefeitura Municipal a firmar um convênio de R$ 593 mil com o Hospital Piedade. No que consiste esta parceria?
Ricardo Conti - O projeto trata da aquisição de outros seis respiradores para ampliar nossa capacidade de atendimento, além do custeio de plantões médicos dos profissionais que vão atuar na enfermaria e na UTI do Pronto Atendimento à Covid-19. A estrutura física está montada e ainda vai ser aprimorada, mas também é necessário que haja uma equipe capacitada para cuidar dos pacientes hospitalizados.
O ECO - Falando em hospitalização, por que, mesmo com toda a estrutura montada na cidade, alguns pacientes com o quadro mais agravado estão sendo transferidos para hospitais de Bauru?
Ricardo Conti - Além do fato de nossa UTI ainda carecer de alguns equipamentos, não conseguimos o credenciamento junto ao Ministério da Saúde, o que impossibilita a vinda de verbas para o custeio. Estamos encaminhando alguns pacientes para Bauru porque é nossa cidade de referência. Na pactuação estadual existem verbas referentes a Lençóis Paulista que estão alocados em Bauru, por isso, podemos e vamos continuar solicitando vaga sempre que for necessário. A tendência é que nós utilizemos todos os recursos disponíveis, não descartando nenhum, pois não queremos chegar ao ponto de ter que escolher quem vai ser internado e quem não vai.
O ECO - Em relação aos leitos de UTI do Pronto Atendimento à Covid-19, foram feitas algumas intervenções junto à Secretaria de Saúde do Governo do Estado de São Paulo e ao Ministério da Saúde para agilizar o credenciamento, mesmo que provisório. Houve algum avanço?
Ricardo Conti - Sim. O processo passou rapidamente pela Secretaria Estadual de Saúde, foi aprovado e agora está aguardado autorização do Ministério da Saúde. Já está na última fase das instâncias pelas quais teria que passar. Esperamos que isso seja resolvido em breve. Agora dependemos do Governo Federal.
O ECO - Um dos pilares do enfrentamento à Covid-19 no município é a Central de Atendimento, que tem atendido e monitorado pacientes remotamente. Com tem sido este trabalho?
Ricardo Conti - A Central Covid faz o atendimento, a triagem e o direcionamento correto dos pacientes. O objetivo é que as pessoas não fiquem circulando de unidade em unidade. Temos evitado a circulação e a aglomeração, porque quase tudo tem sido feito com agendamento. Também fazemos o monitoramento das pessoas com síndrome gripal leve, que estão em isolamento social. Utilizamos um método para fazer a avaliação da situação clínica atualizada de cada pessoa, que diariamente responde a uma série de perguntas em um formulário enviado pela internet ou por contato telefônico. Com isso, conseguimos acompanhar o grau de intensidade da síndrome gripal e, dependendo da situação, nós encaminhamos o paciente para uma das unidades específicas, para a UPA ou para o próprio PAC-19. Paralelamente, a equipe da Vigilância Epidemiológica acompanha os casos suspeitos enquadrados pelos critérios do Ministério da Saúde. É um trabalho conjunto entre as equipes da Vigilância, da Secretaria de Saúde e da Central Covid. A união de forças é fundamental, pois possibilita que tenhamos uma efetividade maior na contenção dessas pessoas e no controle da pandemia.
O ECO - Quantos servidores estão mobilizados neste trabalho?
Ricardo Conti - Temos 11 profissionais trabalhando, sendo quatro servidores da Secretaria de Saúde e sete voluntários, entre enfermeiros e estudantes de medicina.
O ECO - A recomendação é para que todos que necessitem de atendimento entrem em contato com a Central de Atendimento antes de procurar uma Unidade de Saúde?
Ricardo Conti - Sim. O primeiro contato deve ser sempre com a Central de Atendimento para que seja feito o direcionamento correto. Isso tem sido positivo, porque reduzimos drasticamente o número de atendimento na UPA. Nos últimos dias isso acabou aumentando de novo, mas pedimos para que as pessoas liguem para os números da Central para não se deslocarem a uma unidade inadequada.
O ECO - E os casos mais graves? Devem ir diretamente ao PAC-19?
Ricardo Conti - Não. Consideramos o PAC-19 como uma unidade de portas fechadas. As pessoas com sintomas que podem indicar para Covid-19 devem se dirigir à UPA se estiverem com dificuldade para respirar, febre e outros sintomas mais graves. Lá é feita a triagem e o encaminhamento, se necessário. Quem tiver com o quadro mais leve pode ligar na Central de Atendimento, que também vai avaliar a necessidade de encaminhamento ao PAC-19 ou a uma das unidades de síndrome gripal.
O ECO - A Prefeitura Municipal ganhou um importante apoio de um startup lençoense, a DOQR, que forneceu o sistema para a captação de informações pela Central de Atendimento e o mapeamento da situação local, que reúne diversos dados na mesma plataforma. No que isso tem ajudado?
Ricardo Conti - Tem sido fundamental para que tenhamos um melhor acompanhamento. A partir de um banco de dados que é alimentado pela Central Covid, o sistema nos dá informações bem detalhadas sobre os atendimentos, quadros clínicos dos pacientes e a evolução dos casos suspeitos e positivos em cada região. Isso nos permite tomar as decisões de forma mais ágil e assertiva. Em tempos como este, o tempo faz toda a diferença.
O ECO - Lençóis Paulista tem um dos maiores índices de testagem para diagnóstico de Covid-19 da região, o maior se for considerada a proporção populacional. Em que isso tem contribuído para conter o avanço da pandemia no município?
Ricardo Conti - A testagem em massa nos ajuda a identificar onde está o problema, o que é fundamental no aspecto preventivo. Os casos de Covid-19 estão aí, mas muitas pessoas desenvolvem sintomas leves da doença ou sequer apresentam sintomas, o que dificulta que tenhamos a noção real da situação. Realizando mais testes, identificamos mais infectados e colocamos mais pessoas em isolamento domiciliar. Com isso, conseguimos bloquear de forma mais abrangente a circulação do vírus.
O ECO - Entre os testes comprados e os que foram enviados pelo Ministério da Saúde, a Prefeitura Municipal dispunha de cerca de 1 mil unidades, sendo 300 RT-PCR e 700 testes rápidos tipo IgM/IgG. Até nesta semana já haviam sido realizados cerca de 700 testes. Foram adquiridos mais lotes para dar continuidade à testagem?
Ricardo Conti - Sim. Na segunda-feira está prevista a entrega de mais 1 mil testes rápidos, mas já compramos mais um lote de 2 mil unidades para fazer o que estamos chamando de Censo Covid-19, que vai medir a evolução da doença aqui na cidade. Paralelamente às informações coletadas pela Central de Atendimento, já estamos levantando os dados sobre o perfil populacional de cada região para definir os critérios para a aplicação dessa testagem em massa, que deve começar a ser feita nos próximos dias.
O ECO - Com todas essas medidas e ações que foram implementadas, você avalia que Lençóis Paulista está um passo na frente das demais cidades da região no enfrentamento à pandemia?
Ricardo Conti - Cada município adota estratégias individuais com base em suas particularidades. Lençóis Paulista tem se destacado em diversos pontos, sobretudo com o apoio indispensável da iniciativa privada. Implantamos uma estrutura bem consistente para o tratamento, estamos monitorando de forma eficiente o avanço do vírus e avançamos com a testagem em massa, que é um modelo que deu bons resultado em outros países, como na Coreia do Sul, que teve poucas mortes e conseguiu conter a circulação do vírus através da testagem, com o isolamento e o tratamento precoce das pessoas. Os números vêm evoluindo proporcionalmente bem mais do que na região, mas é porque estamos procurando identificar os casos. Algumas cidades estão lidando de outra forma, ignorando a testagem para manter números baixos. Isso é como empurrar a sujeira para debaixo do tapete. Não é a melhor forma de lidar com a situação, porque uma hora isso vai ter reflexo negativo. Tem que enfrentar o problema, não tentar fingir que ele não existe para transmitir uma sensação de segurança à população.
O ECO - A pandemia trouxe novos modelos de trabalho para diversos segmentos, inclusive para a área da Saúde. Você acredita que muitas das coisas que estão sendo experimentadas agora vieram para ficar?
Ricardo Conti - As coisas nunca mais serão as mesmas depois da pandemia, seja em relação ao comportamento da população ou à atuação das empresas e do Poder Público. Na Saúde, a inclusão da telemedicina e do formato de atendimento remoto para triagem e acompanhamento darão mais agilidade aos processos e trarão cada vez mais segurança aos pacientes e profissionais. Não tenho dúvida alguma que isso veio para ficar.
O ECO - Falando do presente, como estão as outras demandas da Saúde? Tudo já está funcionando dentro da normalidade possível?
Ricardo Conti - Não da forma como estava antes. Além das duas ESF que estão atendendo exclusivamente casos de síndrome gripal, no Monte Azul (Antonio Benedetti) e Núcleo Luiz Zillo (Dr. João Paccola Primo), as demais Unidades de Saúde estão atendendo a partir dos encaminhamentos feitos pela Central de Atendimento. Estamos retomando aos poucos os atendimentos aos grupos de risco, porque não podemos deixar essas pessoas desassistidas. Para quem faz uso de medicamento contínuo estamos renovando receitas automaticamente para evitar fluxo nas unidades. Se houver necessidade, encaminhamos para consulta, mas tudo com agendamento para não ter aglomeração. Também implantamos um sistema de videochamadas no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) para consultas com psicólogos e psiquiatras. Temos feito o que é possível para manter as demandas mais urgentes.
O ECO - No que diz respeito à gestão, quais têm sido as maiores dificuldades para manter os serviços essenciais dentro da Saúde Pública?
Ricardo Conti - São dois principais problemas. O primeiro é que subiu o preço de tudo. Está tudo inflacionado no mercado devido à grande demanda. São vários municípios querendo comprar as mesmas coisas de uma vez só, desde medicamentos aos EPI (Equipamentos de Proteção Individual). Muitos equipamentos hospitalares estão em falta e os que são encontrados estão sendo vendidos a preços absurdos. Isso tem dificultado muito nosso trabalho.
O ECO - A Covid-19 acaba desviando o foco para outros problemas sérios de saúde pública, como a dengue, por exemplo, que sempre causa muitos transtornos à população. Como está a situação neste ano? O trabalho preventivo e de combate continua sendo feito?
Ricardo Conti - Os agentes comunitários estão evitando adentrar às residências, mas seguem com as visitas, respeitando o devido distanciamento. Os agentes de endemias também continuam fazendo nebulização e bloqueio onde há necessidade. É um trabalho de prevenção contínuo. A dengue está sob controle. Temos tido um resultado muito positivo neste ano. Com as pessoas ficando mais em casa na quarentena, os possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti estão tendo mais atenção e isso tem resultado em uma diminuição significativa da proliferação.
O ECO - Como secretário de Saúde, qual a mensagem você deixa para a população lençoense?
Ricardo Conti - Neste momento de pandemia que estamos vivendo, peço que a população cuide de sua família, de seus entes queridos, evitando contato, mantendo distanciamento e dando à devida atenção às barreiras sanitárias e usando máscara para evitar a contaminação. A família é nosso maior bem a temos que cuidar dela com muito carinho e amor. A melhor demonstração de amor que podemos dar neste momento é preservando a todos do coronavírus, para que passemos da forma mais branda possível por esta pandemia.
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