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Vai um pastel aí?
Há mais de 30 anos trabalhando em Lençóis, Shosei Tokuhara conta a história do pastel mais famoso da cidade
Vai um pastel aí?
TIO DO PASTEL - Tratado com carinho pelos funcionários, o bauruense diz ter um carinho especial por Lençóis - Foto: Elton Laud/OECO
As delícias da culinária oriental são muito apreciadas boa parte dos brasileiros, mas por aqui, muitos descontentes de asiáticos que migraram para o país acabaram ficando conhecidos pela habilidade em preparar outra "iguaria": os pastéis. Da forma como conhecemos, o pastel pouco se assemelha a qualquer outra comida da cozinha oriental, mas, segundo historiadores, suas origens estão ligadas ao rolinho primavera chinês e ao gyosa japonês e as receitas teriam apenas sido adaptadas aos ingredientes brasileiros. Talvez isso explique o fato de encontrarmos tantas pastelarias comandadas por orientais no Brasil.
Em Lençóis Paulista, por exemplo, existem várias, mas talvez nenhum pastel seja tão conhecido como o famoso “pastel do varejão municipal”, feito há mais de três décadas pelo “seo” Shosei Tokuhara, um daqueles típicos descendentes de japoneses que encontraram na “arte” dos pastéis o meio de sobrevivência.
Nascido e criado na cidade de Bauru, onde mora até hoje, Shosei, hoje com 54 anos, conta que aprendeu a fazer os pastéis com um cunhado que morava em Suzano, na Grande São Paulo. Na época tinha 18 anos e trabalhava em um supermercado bauruense, mas decidiu tentar a sorte em outra profissão.
Começou com uma pequena barraca frequentando as feiras da cidade e seu pastel logo começou a fazer sucesso entre a clientela. Não demorou até que quase toda a família estivesse envolvida no negócio. “Sou de uma família numerosa. Tenho oito irmãs e outros três irmãos. Praticamente todos, além da minha mãe, já trabalharam - ou ainda trabalham - com pastel em algum momento na vida”, revela.
Hoje, depois de mais de 36 anos ganhando a vida fazendo pastéis, “seo’ Shosei mantem barracas em feiras de Bauru, Agudos e Lençóis. Somando as três cidades, só aos domingos vende mais de três mil unidades, além das massas prontas que comercializa para bares e outros estabelecimentos. Ele conta que por semana prepara mais de mil quilos de massa de pastel e cozinha cerca de 500 quilos de carne, o recheio mais procurado pelos clientes entre os mais de 10 sabores disponíveis.
Levanta quase sempre de madrugada para preparar tudo, principalmente aos domingos, quando carrega sua Kombi com todos os aparatos e vem para Lençóis, repetindo o mesmo ritual dos últimos de 33 anos. Por aqui, ele emprega atualmente 10 dos cerca de 35 funcionários que tem nas três cidades. É chamado de “Tio” por todos eles, que fazem questão de destacar sua simpatia, generosidade e honestidade.
Depois de muito ter trabalhado na vida e lutado para educar o casal de filhos - hoje com 25 e 24 anos -, fruto de seu casamento de 32 anos, diz se considerar um vencedor, mas revela que nunca imaginou que as coisas fossem dar tão certo. “Vontade de trabalhar a gente tinha, mas não imaginava que as coisas seriam assim. A gente já conquistou uma freguesia muito boa. Nossos clientes são bastante assíduos, vem direto aqui. Muitas vezes ainda trazem outras pessoas para conhecer e essas pessoas também acabam se tornando clientes. Acho que isso é resultado de toda a dedicação que temos tido durante todo esse tempo”, ressalta.
Tanta dedicação, talvez ele só demonstre igualmente em outra atividade que gosta muito: a pescaria. Pelo menos uma vez por mês ele sai da rotina, esquece do mundo e passa alguns dias pescando. “A pescaria é uma terapia para mim. Subir no barco e sair pelo rio adentro. É bom demais. Às vezes é bom para recarregar as baterias e relaxar antes de voltar para a rotina”, diz.
Apesar de ainda residir em Bauru, ele afirma ter um carinho especial por Lençóis e diz ser muito grato por tudo que conquistou trabalhando no varejão. No local ele é visto como uma espécie de líder por tomar a frente das coisas, seja para batalhar por melhorias ou apenas para a realização das festas que fazem em datas especiais como Da das Mães, Dia dos Pais e Natal.
“Gosto muito daqui. Do lugar, das pessoas. Já são mais de 33 anos trabalhando em Lençóis e nuca pensei em parar. É toda semana a mesma luta, mas fazemos isso sempre com muito prazer”, finaliza.
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