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‘O Fórum mudou muito nestes 16 anos que estive aqui’, diz Ana Lúcia
Juíza chegou em 2000 e agora vai para Bauru após promoção na carreira; parceria com o Executivo melhorou estrutura
‘O Fórum mudou muito nestes 16 anos que estive aqui’, diz Ana Lúcia
A juíza Ana Lúcia Aiello está se despedindo de Lençóis Paulista. Na quinta-feira (16) ela finalizou seu ciclo na cidade - Foto: Tiago Moreno
A juíza Ana Lúcia Aiello está se despedindo de Lençóis Paulista. Na quinta-feira (16) ela finalizou seu ciclo na cidade que começou em novembro de 2.000. Depois de quase 16 anos trabalhando aqui - ela veio para cá com apenas 27 anos – a magistrada diz que aprendeu muito e cresceu muito neste tempo. Ana Lúcia deixa Lençóis e vai para Bauru, cidade onde nasceu e mora atualmente. “Já são 16 anos de estrada”, brinca dizendo que além de ser uma promoção na carreira – ela vai atuar em uma vara especializada – ela também vai poder ficar mais perto de casa e dos filhos.
Na despedida, ela agradeceu e elogiou o trabalho de todos os servidores do Fórum. “Quando cheguei fiquei muito assustada com o volume de trabalho, mas fui me adaptando e contando sempre com a ajuda dos funcionários do Fórum que são dedicados e comprometidos”, disse. Agradeceu também os advogados, com quem sempre manteve uma relação cordial e de confiança. Disse que a Polícia Militar e Civil fazem um bom trabalho na cidade. “A Polícia Civil faz milagre para elucidar crimes com a equipe que tem”, frisa.
Ana Lucia diz ainda que sem a parceria com o Poder Executivo Municipal não seria possível ter feito muita coisa que ajudaram o Fórum a melhorar sua prestação de serviço à população como Cejusc, anexo fiscal entre outros. “Só o anexo fiscal tem 25 mil processo. Imagina se isso estivesse distribuídos nas Varas”, explica. A juíza diz ainda que percebe que o Executivo e o Legislativo em Lençóis cumprem seu papel. “Eu gosto muito do jeito que o Executivo se coloca. Fiquei sabendo ontem que vai inaugurar mais uma creche, então eu percebo que, mesmo diante de todas as dificuldades, o Executivo trabalha em prol da cidade”, declarou. 
Leia a seguir os principais trechos da entrevista da juíza:
 
O ECO - Porque a senhora está indo embora de Lençóis
Ana Lúcia Aiello - Ir para Bauru é uma promoção, na verdade. Estou indo para o último degrau da carreira. Então são dois benefícios, a questão da carreira e também porque minha família é de lá. Eu sou nascida em Bauru, meus pais são de lá, meus filhos...já são quase 16 anos de estrada, então estou indo por estes motivos.
 
O ECO - Mas a senhora vai para qual lugar exatamente em Bauru? Onde vai trabalhar?
ALA – Em Bauru é tudo especializado, tem quase 30 juízes na cidade e cada um tem uma função específica. Eu vou para a Vara da Fazenda Pública, são ações contra municípios e estados e, basicamente, estão relacionados à cobrança de tributos.
 
O ECO – Como a senhora avalia esses 16 anos que trabalhou em Lençóis Paulista? A senhora chegou aqui em 2000?
ALA – Final de 2000 início de 2001. Eu comecei a trabalhar em novembro de 2000, mas só fui publicada minha nomeação em 6 de fevereiro de 2001. Então oficialmente é desde essa data.
 
O ECO – Lençóis foi o primeiro trabalho da senhora como juíza?
ALA – Eu passei no concurso em 1998. No Estado a gente fica substituindo, então eu fui para Matão, Ibitinga, Santa Adélia, Araraquara e Jaú, que foi o primeiro lugar que trabalhei. Depois eu me promovi para Iacanga, onde fui juíza titular. Depois vim para Lençóis Paulista, que fui mais um degrau na minha carreira, porque vim como juíza intermediária e agora estou indo para Bauru, no último degrau da carreira. Lógico, que depois disse, vem o posto de desembargador em um Tribunal, que é um outro estágio.
 
O ECO – Nestes 16 anos o que a senhora pode destacar do trabalho aqui na cidade? Porque quase metade da vida profissional a senhora passou aqui.
ALA – Eu comecei a trabalhar com 15 anos de idade. Eu estou quase com o tempo de aposentadoria. Se ficasse mais um pouco eu poderia me aposentar aqui. Mas essa não a pretensão, lógico, quero trabalhar ainda muito tempo, ainda mais estando em casa, que é Bauru, mas eu vim para Lençóis porque era perto de Bauru. Eu estava casada na época e queria ficar perto. Quando cheguei aqui eu tinha 27 anos e fiquei muito assustada no começo pelo volume de serviço. Mas eu fui me adaptando, os funcionários são muito comprometidos, o que ajuda muito, e aqui a grande surpresa são os advogados. Eles são ótimos para trabalhar. Tudo é conversado, nós trabalhamos às claras e eu trabalho na confiança. E na medida do que é juridicamente possível a gente foi se acertando. A prefeitura aqui é muito organizada. Eu gosto muito do jeito que o Executivo se coloca. Fiquei sabendo ontem que vai inaugurar mais uma creche, então eu percebo que, mesmo diante de todas as dificuldades, o Executivo trabalha em prol da cidade. Isso, sem dúvida, é um fator positivo, porque através da ajuda do Executivo Municipal nós conseguimos instalar a Terceira Vara, fazer o anexo fiscal, o Cejusc. Posso dizer que o Fórum mudou muito nestes 16 anos que estou aqui.
 
O ECO – O Fórum então cresceu e acompanhou a cidade?
ALA – Sim. Só o anexo fiscal tem 25 mil processos, imagina se isso estive nas Varas hoje. Então está muito mais organizado, nós temos funcionários da prefeitura ajudando lá, atualmente são 7. Em razão da ajuda da prefeitura que alugou o prédio, reformou de acordo com todas as exigências do Tribunal, cedeu os funcionários, então organizou o Fórum. Tenho certeza que isso reflete diretamente na melhora da qualidade do serviço jurisdicional que oferecemos hoje.
 
O ECO – Doutora, hoje o Poder Judiciário vive um bom momento no Brasil. Como a senhora avalia as mudanças na Justiça nestes 16 anos?
ALA – Falando localmente eu não vejo muita diferença. Desde que estou aqui, o Poder Judiciário sempre foi muito respeitado, nunca houve uma discussão que excedesse o trâmite jurídico, do que é permito pela Lei. Agora nacionalmente essa figura do juiz Sérgio Moro realmente nos proporciona uma maior esperança no Brasil, de fato. Como juiz, eu tenho sentido que a classe tem se unido mais e essa união fortalece o Poder Judiciário, sem dúvida. Pessoalmente eu torço muito para que a operação Lava Jato não pare, continue com muita seriedade na investigação, sempre respeitando os trâmites legais, constitucionais. Isso nós traz uma segurança também, de alguma forma reflete no nosso serviço. Em Lençóis, vejo que o maior problema é o tráfico de droga. Aproveito a oportunidade para elogiar o trabalho da Polícia Militar e da Polícia Civil da cidade. A Polícia Civil faz milagre, eles investigam com poucas pessoas e conseguem desvendar vários crimes de grande proporção. A Polícia Militar tem grande contato com a população o que ajuda muito. Eu tenho impressão que as pessoas não temem a Polícia Militar aqui e que as pessoas se sentem seguras. 
 
O ECO – Nestes 16 anos, quais os fatos que mais marcaram a senhora aqui em Lençóis?
ALA – Quando você fala em processo marcantes não tem como não lembrar dos crimes, os processo de júri. Aquele homicídio que teve na Facilpa, por volta de 2002, foi um caso marcante, por causa de seu desdobramento, porque foi uma família de réus, os últimos réus, inclusive eu fiz o julgamento nesse ano. Este último que estou trabalhando, com mais de 40 réus acusados de tráfico, também é bem complexo. Mas tem o lado bom também que é quando a gente coloca uma criança de forma mais confortável numa família, com o pai ou com a mãe e conversa com os dois lados, fazendo despertar naquele casal o que é o melhor para aquela criança, as visitas, a pensão. Isso tudo é o que mais me acalenta.
 
O ECO – É o papel de pacificar do juiz...
ALA – Exatamente. É o papel de pacificador e o Cejusc tem um papel muito importante nisso e também os advogados que nos ajudam, o Vicente Bento, o Galli, Salles, Lexandro, Clarisse, não dá para nomear a todos, mas todos fazem um acordo lá, nessa Vara da Família muito bom. E isso é o que nos acalenta, mesmo, porque é uma briga desnecessário. E com o tempo as pessoas vão perceber que o importante é o benefício da criança. Além desses processos, teve também os processos políticos, de improbidade, que foram difíceis para nós, lembro também da desapropriação do Jardim Primavera, que foi um mutirão, as pessoas tiveram as casas, mas tudo foi um processo judicial também. Um processo difícil de finalizar. Mas posso garantir que tudo foi feito com muito amor e com muito estudo, vendo o que é possível fazer dentro da lei para melhor acomodar as situações.
 
O ECO – O que a senhora leva de Lençóis Paulista nestes 16 anos que esteve aqui?
ALA – Eu aprendi muito, cresci muito, tive muitas emoções, tanto tristes como também felizes e no balanço final eu só tenho a agradecer às pessoas que compareceram ao Fórum, as pessoas que não vieram aqui mas sabem quem eu sou, sabem meu jeito de trabalhar e que de alguma forma interferiram no meu lado pessoal e, até aquela senhora que pão aqui no prédio, que eu recebia no meu gabinete, enfim, os vereadores, que também me homenagearam, que trabalham corretamente, fiscalizam o Executivo, fazem a população refletir politicamente. E meu agradecimento final e especial aqui é para a imprensa local. O ECO e a Tribuna e outros jornais também, mas principalmente, ao O ECO e a Tribuna que estão acompanhando meu trabalho desde o início, todas as matérias transmitidas sempre foram publicadas na íntegra, com veracidade, é um jornalismo muito sério em que há um respeito recíproco.
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